Os pais são os primeiros modelos dos filhos. Por exemplo, se os pais utilizam a violência (mesmo que apenas verbal) nos seus relacionamentos, os filhos serão violentos e, frequentemente, serão não só verbalmente violentos mas também fisicamente violentos. Se os pais forem consumidores de drogas (mesmo que apenas legais, como é o caso do tabaco, álcool, ou tranquilizantes) fornecem um modelo de consumismo aos filhos e, estes, terão uma muito maior probabilidade de se tornarem consumidores de drogas, tanto legais como, frequentemente, ilegais…
Efectivamente, as crianças aprendem mais com o que vêm os pais fazer, do que com os conselhos que ouvem deles: por isso, os pais têm de ter cuidado com o modelo de comportamento que têm perante o mundo e mostram aos seus filhos.
Por outro lado, a forma como os pais interagem com os filhos, ou seja a forma como educam os filhos é muito importante:
- Os pais devem estar disponíveis
para ouvir e perceber os anseios e problemas dos filhos. É importante
falar de tudo quanto os filhos queiram e mostrar-se aberto para o
resto. A percepção que muitos filhos têm de que os pais esquecem ou não
se interessam pelas suas dúvidas, insucessos ou sucessos (ou seja,
estão mais preocupados com a sua carreira profissional ou os seus
próprios problemas pessoais) tem repercussões graves na formação da
personalidade da criança.
- Os pais devem aprender a negociar
com os filhos, ou seja, aceitar os seus pedidos, embora impondo limites
razoáveis, preferivelmente sempre apoiados na argumentação.
- Os pais devem providenciar para que haja disciplina,
ou seja, regras o mais claras possíveis que a família deverá cumprir de
forma séria. Estas regras deverão ser negociadas e por isso pressupõem
a disponibilidade e a negociação já falada dos pais. No entanto, depois
desta negociação, as regras serão mesmo para cumprir, sendo fundamental
saber dizer "NÃO" quando se transgridem as regras previamente
negociadas. Em alguns casos, os pais são prepotentes, não negoceiam as
regras e inclusivamente, mudam-nas frequentemente de acordo com os seus
interesses momentâneos. Noutros casos, não há regras em casa, sendo
tudo possível sem qualquer forma de punição. Noutros ainda,
estabelecem-se regras que todos sabem que não são para cumprir: é o
exemplo do pai que estabelece uma hora de regresso a casa do
adolescente que vai à discoteca, e quando este infringe a regra, o pai,
ao acordar no dia seguinte, nem sequer menciona o facto. Curiosamente,
neste exemplo, o adolescente não aprende apenas a ser indisciplinado,
aprende também que o pai "está-se nas tintas para o que ele faz ou
deixa de fazer", o que é psicologicamente devastador para a sua
auto-estima.
- Os pais devem encorajar
sistematicamente os aspectos positivos e os sucessos dos filhos. Todas
as crianças têm virtudes que devem ser encorajadas, caso contrário, o
futuro adulto padecerá de baixa auto-estima e assertividade. Os pais
(ou os professores) que criticam frequentemente os seus filhos (ou
alunos) e não têm uma palavra de encorajamento relativamente ao que
eles têm de bom, cometem um grave erro. É também importante dar
oportunidades aos filhos para eles provarem a eles próprios e aos pais
que são merecedores de confiança. Uma mãe-galinha que não deixa o filho
fazer opções, ter ideias autónomas, resolver problemas sozinho, comete
o erro de não dar estas oportunidades, nem para o filho nem para ela
própria, de crescer a confiança entre ambos!
António Pina, 2008.