No início da vida a criança depende da família ou do equivalente dela. O papel protector, cuidador, nutridor e educativo que ela representa é dificilmente substituível.
A inadequação da família residirá na incapacidade em assegurar as funções materiais, pedagógicas, afectivas, morais, sendo as carências afectivas e educativas (falta de assumpção de responsabilidades, demissão de papeis, informação deslocada, pouca disponibilidade/proximidade) as mais frequentes.
A família deve corresponder às necessidades básicas e, nomeadamente, de segurança, enquanto proporciona a aprendizagem progressiva das frustrações e das contingências da socialização.
O objectivo maior será proporcionar um crescimento pleno e fomentador de autonomia, num equilíbrio entre a protecção exagerada e a indiferença, com tempos de convívio de qualidade, onde a interacção entre a criança e os pais sirva para ajudá-la a fortalecer laços de solidariedade e amizade e prepará-la para se abrir ao mundo exterior, e a outras realidades diversas, com texturas e dimensões afectivas próprias.
Maria José Fernandes – Psicóloga Clínica (Coordenadora da Área de Psicologia de Saúde do Hospital de Faro, E.P.)