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Depressão Pós-Parto

Não será novidade que a mãe desempenha um papel crucial na vida da criança sobretudo, nos primeiros meses de vida.

É pois, fundamental que a mãe disponha de energia física e psíquica para satisfazer as necessidades do seu bebé, oferecendo-lhe protecção e proporcionando-lhe um ambiente agradável e seguro, acompanhando-o em todas as etapas do seu desenvolvimento.

É através da mãe, que a criança vai conhecendo e explorando o mundo, sendo importante proporcionar equilíbrio à criança, de modo a que esta se sinta segura e possa ir organizando todas as descobertas que lhe chegam diariamente.

Mas, de facto, para muitas mamãs, sobretudo para aquelas que são mães pela primeira vez, após o nascimento do seu bebé, a realidade revela-se bem mais intensa do que aquela que haviam esperado.

Não será pois, tarefa fácil, o primeiro mês em casa com o bebé, quando a mãe se sente confusa ao não conseguir compreender porque chora o seu bebé: "Será fome?", "Será frio?" Ao chegar a noite,   o sono é constantemente interrompido pelo bebé que acorda várias vezes para comer. Ou seja, face à necessidade de tantos cuidados que definem a maternidade, a mãe coloca-se constantemente em causa, questionando-se sobre as suas reais capacidades.

Há então, a necessidade de adaptar as expectativas e desejos, medos e receios, ao bebé real, de um modo mais vasto, à nova realidade de ser efectivamente mãe. Há que ter sensibilidade para compreender que se trata do início de um complexo processo psicológico, no qual, a par de toda a alegria que se espera existir surgem, muitas das vezes, sentimentos contraditórios e causadores de sofrimento.

Ou seja, após o nascimento do bebé, a mãe poderá experienciar sinais emocionais como a tristeza, o abatimento e a confusão (blues pós-parto), que serão normais e temporários. No entanto, se estes persistirem no tempo, não havendo uma boa gestão destas emoções, poderemos estar perante uma depressão pós-parto que merece avaliação e acompanhamento clínico, pois poderá ter um impacto negativo na relação com o seu bebé e na sua vida em geral.

Se a depressão materna acontece, principalmente se ocorrer na infância ou adolescência dos filhos, um grande impacto terá no comportamento e personalidade dessas crianças.

Os filhos, desde pequeninos, espelham-se bastante no comportamento materno. O bebé já demonstra irritação com a atitude depressiva da mãe, sendo um bebé mais choroso, não mantendo um contacto visual constante com a mãe ou com estranhos. A interação desse bebê com o mundo é precária e ele identificar-se -á mais com o rosto de alguém triste do que com um alegre.

Uma criança que tem uma mãe depressiva, sendo esta ausente e empobrecida de estímulos para o seu filho, tem maiores probabilidades de desenvolver alterações emocionais, uma depressão, por exemplo, assim como a sua mãe.

Essas mães têm problemas em impor limites, ou são demasiado permissivas ou rígidas demais. Essa dificuldade faz com que as crianças, principalmente entre os 18 e 42 meses, tenham dificuldade em se relacionar com seus amiguinhos, criando relações inseguras e desorganizadas, com problemas claros de comportamento.

Em conjunto com o apoio da família, terapêutico e social, é importante que a depressão seja tratada o quanto antes, ajudando a minimizar os riscos negativos que a depressão materna acarreta na vida dos filhos, assim como na recuperação da mãe.

Contudo, importa relembrar que deverá ser evitada uma classificação simplista de toda e qualquer alteração emocional mais significativa, da mesma forma que se possa pensar que, ter um filho, por muito desejado que seja, será sempre um idílio.

Helena Coelho, 2008

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