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Puberdade nas raparigas

Nas raparigas a puberdade ocorre entre os 9 e os 16 anos, geralmente 2 anos antes dos rapazes, variando no entanto grandemente de rapariga para rapariga.

A puberdade é o momento em se produz a maturação sexual, sendo marcada por grandes mudanças e transformações físicas, umas mais repentinas, outras bastante progressivas, que representam a entrada na vida adulta e que acarretam posteriormente uma série de adaptações psicológicas e sociais muito importantes para o seu desenvolvimento.
O corpo da rapariga prepara-se desta forma para ser mulher. O momento mais marcante deste processo é seguramente o da primeira menstruação, também bastante variável e muitas vezes revestido de mitos, desconhecimentos e sentimentos de vergonha.
Inicia-se também o desenvolvimento dos mamilos, o aumento das ancas e o gradual crescimento das mamas, que decorrerá aproximadamente até aos 18 anos de idade. Estas mudanças são ainda acompanhadas pelo aparecimento dos pelos púbicos e axilares, pelo grande crescimento em altura e pelo desenvolvimento dos genitais.

A partir deste momento, a rapariga está biologicamente apta a ser mãe, aptidão essa, poucas vezes acompanhada pela maturidade psicológica necessária ao seu novo papel de mulher.
O desequilíbrio que daí resulta é, muitas vezes responsável pelas múltiplas vulnerabilidades vivenciadas no que diz respeito à ocorrência de gravidezes indesejadas, ao início precoce das relações sexuais, e às Infecções Sexualmente Transmissíveis, como é o caso do VIH/sida.

Trata-se por isso de uma fase que pode ser algo conturbada mas também muito bonita, e rica em experiencias e sensações e que deve realmente ser encarada deste modo, pelas raparigas e pelas famílias, que devem estar atentas e disponíveis para apoiar, esclarecer e acompanhar as suas raparigas nesta jornada.
É importante que elas conheçam o próprio corpo e que compreendam o que se está a passar com ele (é este o primeiro passo para se poderem aceitar de forma positiva), que usufruam das descobertas que estão agora a encetar e que se divirtam com estas mudanças, que não acontecem em todas as raparigas ao mesmo tempo nem da mesma forma.
É também fundamental esclarecer questões práticas, muitas vezes geradoras de constrangimentos vários, relacionadas com a utilização e escolha do sutiã mais adequado, ou da selecção e correcta colocação de pensos higiénicos ou tampões, mas também, das necessárias medidas de higiene, ou até mesmo do inicio das relações sexuais, do que representam, das condições necessárias e das medidas que devem ser adoptadas.

Crescer é uma aventura fascinante e arrebatadora, é um processo marcante para quem o vive e para quem, como nós, pais e mães, a ele assiste impacientemente.
Apoiar neste processo é o nosso papel, escutando todos os sinais, aceitando escolhas e opções com responsabilidade, respeitando os tempos e a individualidade e deixando viver, desfrutando também nós de todos os momentos que nos são proporcionados.

Joana Sousa (psicóloga da APF)

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