Unidade de Terapia Familiar (UTF)

A Unidade de Terapia Familiar é uma resposta do Ministério da Saúde e da ARS Algarve, às necessidades de ajuda que algumas famílias e casais tinham quando não conseguiam lidar com os problemas de comunicação entre os seus membros.

Foram os médicos de família do Algarve, a quem as famílias e casais recorriam, que primeiro sentiram a necessidade de ajuda na área sistémica.

Esta Unidade consiste na prestação de apoio a famílias com variados problemas através de sessões com terapeutas especializados. Tendo como base a máxima «acreditar e fazer acreditar», trabalham as famílias com o principal objetivo de lhes devolver, ao longo das sessões, competências para que ultrapassem as próprias crises e apoiá-las na resolução dos seus problemas.

A UTF tem como área de intervenção o Distrito de Faro. O acesso a esta Unidade de Serviços faz-se mediante referenciação do médico de família, realizada através de e-mail: utf@arsalgarve.min-saude.pt, ou telefone: 289826492.

Fundadores:

Alexandra Alvarez: Terapeuta Familiar (Mestre em Gestão e Políticas Públicas, Licenciada em Serviço Social, Terapeuta Familiar com grau de supervisora e membro efetivo da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar.

Pedro Manuel Teigão: Terapeuta Familiar (Assistente Graduado de Medicina Geral e Familiar, Terapeuta Familiar com grau de supervisor e Membro Efetivo da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar, a exercer funções de coordenador na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de Quarteira e da Unidade de Terapia Familiar da ARS Algarve).

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Equipa de Terapeutas da UTF:

Pedro Teigão (Terapeuta Familiar Supervisor/Coordenador)

João Pedro Luz (Terapeuta Familiar)

Raquel Medeiros (Terapeuta Familiar)

Marta Teixeira (Terapeuta Familiar)

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UMA EXPLICAÇÃO SOBRE TERAPIA FAMILIAR

Conceito de família

A família é uma unidade fundamental que acompanha a formação e o desenvolvimento do ser humano. É composta por pessoas que estabelecem entre si profundas ligações emotivas, que são naturalmente complexas e diferentes ao longo da vida e muitas vezes unem várias gerações, podendo possuir elementos que, não tendo ligação biológica com a família, são afectivamente muito importantes no enredo das relações familiares.

A família designa assim um conjunto de elementos emocionalmente ligados entre si.

O que é a Terapia Familiar?

A Terapia Familiar é um diálogo que se constrói e desenvolve no tempo, envolvendo um terapeuta disponível e uma família normalmente em grande sofrimento.

É uma procura de novas alternativas que não passa por resolver problemas e corrigir erros mas, principalmente, por colocar em evidência a competência da própria família, activando a sua participação na resolução dos seus problemas.

O Terapeuta não transforma mas suscita ocasiões favoráveis à mudança.

Como é o funcionamento na prática?

O processo terapêutico é diferente porque todas as famílias são diferentes, mas no que respeita ao funcionamento, no modelo clássico reúne-se toda a família nuclear, ou os elementos que vivem em conjunto, com o objectivo de retratar e situar toda a dinâmica daquela família, existindo espaço para que todos abordem as suas sensações e em simultâneo conhecer a experiência que os outros possuem na relação familiar entre si.

Não obstante os elementos preferenciais serem os acima descritos, deverá existir sempre a possibilidade de flexibilizar sobre quem pode estar nas sessões, por exemplo juntando os irmãos, ou só os pais, ou só os avós e netos, ou mesmo outros elementos que, embora não pertençam à família, têm uma relação significativa ou desempenham um papel importante no desenrolar da vida familiar.

A Terapia Familiar não é uma terapia à família mas com a família.

Que famílias procuram ajuda?

De uma forma geral , quando acontece na vida da família uma situação preocupante, ou quando as pessoas não conseguem ter relações satisfatórias.

Muitas vezes o pedido de ajuda é feito junto de um médico, de um professor ou de outro técnico, e é depois deste primeiro pedido que é sugerida a Terapia Familiar.

Não existindo muitas respostas das Instituições de saúde para o apoio às famílias, existem cada vez mais profissionais com formação específica nesta área do trabalho com famílias e também com muita sensibilidade para o desenvolver, pois também a formação faz um apelo muito forte a este aspecto.

Quando se inicia o processo terapêutico?

O processo terapêutico em Terapia Familiar inicia-se com o pedido de terapia realizado pela família, ou por um dos seus membros.

Como é realizado o pedido?

O pedido é realizado por telefone pelos interessados ou por indicação de profissionais que conhecem a família e em simultâneo a abordagem sistémica. Tanto num caso como noutro este primeiro contacto reveste-se da maior importância pelo que para além dos dados relativos ao contacto posterior com a família ( nome, morada, telefone, …) é registada a composição do agregado familiar , idades e situação escolar e profissional dos diferentes elementos.

Após recolha dos dados de identificação e composição familiar, importa ainda conhecer o motivo que leva ao pedido de ajuda e qual a ideia de que o nosso interlocutor tem sobre o problema.

Esta breve descrição vai permitir conhecer o problema que nos surge como inicial, qual o elemento da família sobre o qual recai a preocupação, bem como a formulação de algumas hipóteses de trabalho que poderão ou não vir a ser confirmadas após a primeira sessão. Aliado ao pedido expresso por vezes existe um pedido latente que só será percebido na dinâmica com a família.

Em que momento é procurada a ajuda? 

Quando as pessoas procuram ajuda acreditam que sozinhas não conseguem resolver os problemas que as preocupam e, muitas vezes, esse pedido surge quando a situação toma proporções muito grandes e o sofrimento se torna insustentável.

Qual o contexto de atendimento à família?

O trabalho com a família decorre em sessões cuja duração oscilará entre os 50 e os 60 minutos e em que estarão presentes todos os elementos da família nuclear ou alguns deles, ou ainda elementos da família alargada ou elementos significativos para a vida da família em análise.

A ordem e o critério destas presenças relaciona-se directamente com o desenrolar das sessões, a história das famílias e o significado que outros elementos de relacionamento próximo possam ter para a mesma. Nada é pensado sem o contexto em que a sessão decorre e as relações que a família nos traz como material de trabalho.

A sala de terapia familiar deve corresponder a um espaço amplo, térmico e confortável e deve contemplar um espaço em que as crianças que venham à sessão possam ocupar-se ludicamente, com o objectivo de não existirem obstruções ao processo terapêutico pela exigência de atenção às mesmas que rapidamente se podem cansar por se encontrarem num espaço que lhes é monótono.

Relativamente ao mobiliário deve optar-se por um estilo sóbrio e pela existência de várias cadeiras, a utilizar uma por membro da família e pelos terapeutas, as quais devem ser confortáveis, iguais e dispostas em círculo.

É ainda possível que o espaço das sessões possua um espelho unidireccional, forrado com uma película que permita que de uma sala contígua a sessão seja acompanhada sem que, não obstante a autorização da família, os intervenientes se sintam observados e por isso condicionados na sua dinâmica, ou ainda que seja utilizada uma câmara de filmar que permita efectivar o registo da sessão num filme que posteriormente é visionado pela equipa e serve de base à intervenção posterior, sendo a gravação da sessão sujeita, igualmente, à autorização da família.

Qual a actuação dos Terapeutas?

O Terapeuta Familiar pode actuar sozinho ou em co-terapia, sendo esta última a que permite maior criatividade nas sessões, dado que estando dois terapeutas na sala um pode assumir um papel mais activo enquanto o outro o sustenta em temos das intervenções.

Se existir uma co-terapia é desejável que a mesma se componha por um casal de terapeutas pois assim as presenças em número de género masculino e feminino ficam mais homogéneas e será menos desconfortável para a família, ou seja, trabalhando um casal se os terapeutas forem ambos homens ou mulheres existe uma desvantagem para um dos elementos da família, o que pode condicionar o à vontade.

Qual a dinâmica das Sessões de Terapia Familiar?

As sessões de Terapia Familiar devem constituir um desafio à “metacomunicação” em que o terapeuta solicita informação à família de uma forma interactiva, ou seja para saber das relações existentes entre os elementos C e D coloca a questão ao elemento A.

A base da sistémica é a circularidade pelo que todos têm uma quota parte de responsabilidade no problema, o que cada elemento refere sobre a situação para a qual é pedida ajuda é apenas uma versão, a de cada um.

Esta técnica é surpreendentemente eficaz porque as pessoas falam mais facilmente sobre os outros do que sobre si próprias. A “metacomunicação” sobre a relação de dois outros elementos da família, na sua presença vai tornar possível a obtenção de informação muito variada e rica que traduz relações.

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1ª Sessão

A 1ª sessão tem uma forte componente social e existe a preocupação dos terapeutas no acolhimento à família.

O ambiente é descrito e explicada a eventual presença da câmara de filmar ou de alguém atrás do espelho.

A família que pela primeira vez participa numa sessão de Terapia Familiar não conhece o modo de funcionamento da mesma, o que a pode colocar numa situação de desconfiança, pelo que é importante que os terapeutas reforcem as reduzidas informações que a família possuía sobre o desenrolar das mesmas.

Após criadas as condições favoráveis à intervenção o terapeuta vai questionar os diferentes elementos da família sobre o motivo que os traz à consulta e também sobre o que cada um pensa sobre a sua família.

A mãe deveria ser interpelada em último lugar pois regra geral é ela que possui uma informação mais vasta.

2ª Sessão

Após o contacto e entrevista inicial, o 2º encontro com a família é marcado para cerca de 15 dias depois. Neste intervalo de tempo a família conclui se deve voltar ou não a uma segunda sessão, conclusão essa condicionada pela relação e empatia com os terapeutas, como também pela postura e opinião dos diferentes elementos da família, quer pela sua posição no sistema, elemento familiar mais determinante ou não, quer pelo sentir do elemento identificado.

Na Segunda sessão solicita-se que a família resuma a sessão anterior, o que possibilita verificar a existência de alterações e o cumprimento ou não das eventuais prescrições, é abordado o decorrer entre uma sessão e outra e circularmente cada elemento vai expressando o seu sentir.

As futuras sessões espaçam-se de 3 em 3 semanas ou ocorrem mensalmente, contudo esta distância não é rígida e também varia de acordo com as características da situação e da família, sendo por isso ajustável e passível de ser mais ou menos espaçada. È possível que ao longo do processo terapêutico se encontrem etapas de “manutenção” e que estas se verifiquem trimestral ou semestralmente.

A partir da 2ª sessão a origem do pedido pode ser redefinida e o terapeuta enquadrará o sintoma numa perspectiva diferente, no entanto esta intervenção deve ser cuidadosa pois pode constituir desagrado à família que tão prontamente apresenta um único problema e é esse em exclusivo que quer ver abordado no espaço da consulta.

As famílias de origem

A Terapia familiar pode envolver a necessidade dos terapeutas conhecerem as famílias de origem, o seu genograma, a sua história, as suas experiências e o seu modo de vida e valores transmitidos. Às vezes resulta importante convidar elementos da família alargada para participarem nas sessões.

A pausa nas sessões 

Em sessões que se presenciam momentos de grande tensão é importante que os terapeutas façam uma pausa, saiam da sala e em conjunto possam reestruturar a sua intervenção. De resto estas pausas podem revestir-se de importância caso um dos
terapeutas necessite partilhar com o outro as suas “confabulações” sobre o desenrolar das sessões.

As alianças

Os elementos da família por vezes tentam manter uma aliança com os terapeutas ou apenas com um deles de modo a obterem a sua protecção e aprovação e, de facto, em certos momentos é importante que o terapeuta corresponda a esse desejo. Nessa situação o outro técnico deverá aliar-se a outro dos elementos, de acordo com as necessidades sentidas com a intervenção, para que seja estabelecido um equilíbrio.

O Final das sessões e as Prescrições

No final da sessão a família tem expectativa face ao que os Terapeutas sentiram relativamente ao que foi dito pelo que, o que foi dito e trabalhado deve ser comentado, contudo não é necessário que a família leve “algo para casa” dado pelo terapeuta, o que importa é que sinta que este a escutou e compreendeu.

 

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Quando é que o trabalho com a família se concluí?

A dinâmica das sessões varia de família para família e de terapeuta para terapeuta, não existem prazos estanques e nem podem existir pois a família tem a sua opinião a dar, a qual é integralmente respeitada visto que o sucesso das sessões depende da sua adesão às mesmas.

Assim, o momento que o terapeuta entende para finalizar o trabalho com dada família nem sempre corresponde ao da própria família.

O Terapeuta prevê que o trabalho com a família seja concluído quando o seu ciclo vital foi ultrapassado e os elementos passaram a estar noutro registo e a relacionar-se respeitando-se uns aos outros, contudo, sendo a terapia familiar um processo que supõe o despender de muitas energias e sobretudo aceitar a mudança, verifica-se que a família por vezes sofre muito para atingir estes resultados, factor que associado ao próprio grau de envolvimentos dos seus elementos pode condicionar a continuidade das sessões e aí a família poderá decidir a todo o momentos não voltar.

Acontece ainda que o não querer voltar é porque de facto com um conjunto curto de sessões a família também passou a sentir-se diferente e naquele momento aquela diferença ser quanto baste.

A UTF do Algarve possui instalações próprias, situadas num andar da ARS do Algarve onde funciona, igualmente, a Direção Regional do Internado Médico de Medicina Geral e Familiar. O espaço dispõe de duas salas adjacentes sendo uma para as sessões, e a segunda para o visionamento direto das mesmas.

As instalações estão localizadas centralmente e dispõem de acessos diretos, possibilitando discrição às famílias.

Na criação desta Unidade existiu a preocupação de dotá-la de equipamentos que facilitem a intervenção terapêutica e a prática da investigação e formação, de entre as quais destacamos:

  • Espelho unidirecional em sala de visionamento que permite a supervisão das sessões e o treino dos terapeutas familiares em formação;
  • Possibilidade de ser estabelecida comunicação com os terapeutas que estão em consulta sem interferência;
  • Sistema de vídeo gravação com qualidade de imagem e som e arquivo confidencial em DVD;
  • Bibliografia de apoio.

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As consultas decorrem normalmente de terça a sexta-feira, entre as 17h00 e as 21h00.

Esta consulta requer, preferencialmente, uma referência prévia realizada por um Técnico que se constitui como referenciador do Serviço. Previa-se que o médico de família fosse o mais frequente referenciador, no entanto os Técnicos das áreas sociais, os Tribunais de Família e Menores e as próprias famílias também têm tido um papel bastante ativo na referenciação das famílias e casais.

A referenciação é feita através de e-mail, através do qual os utentes podem também colocar questões e tirar as suas dúvidas.
E-mail: utf@arsalgarve.min-saude.pt

Telefone geral: 289826491

Telefone direto: 289826492 ou 964520114

E-mail: utf@arsalgarve.min-saude.pt

Fax: 289826493
Morada: Rua João de Deus nº45 1º Dt. 8000-368 FARO

Projecto da Unidade de Terapia  Familiar apresentado pelos terapeutasAlexandra Alvarez Alexandre e Pedro Manuel Teigão no Encontro realizado em 30 de Novembro de 2004 pela Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar.

Para ver a apresentação, em Powerpoint, ou carregar o ficheiro clique aqui > APRESENTAÇÃO 1


Apresentação de Pedro Manuel Teigão no 22º Encontro Nacional de Clínica Geral realizado entre 9 e 12 de Março de 2005 .

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Apresentação Barcelona 12.10.2009

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Apresentação Escola Superior de Saúde, encontro de Médicos Internos de Medicina Geral e Familiar Junho de 2007

Para ver a apresentação, em Powerpoint, carregar o ficheiro clique aqui > APRESENTAÇÃO 4

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