rastreio retinopatia diabética
Banner_SemanaTeste_2022
banners_antibioticos2022
i035812
folheto_rastreio_retinopatia_BANNER2
banners_site2017_mamografia3
banner_obrigado_covid19
previous arrow
next arrow

ARS Algarve reforça humanização da saúde com apoio social e psicológico à população serrana

imagem 

Desde a primeira hora que os profissionais de saúde da Administração Regional de Saúde do Algarve IP prestam apoio à população serrana atingida pelos incêndios que fustigaram o concelho de São Brás de Alportel em julho de 2012. Os habitantes nos montes isolados na Serra do Caldeirão recebem visitas duas vezes por semana de uma técnica superior de serviço social da Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) Al-Portellus e de uma psicóloga da URAP, unidades integrantes do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Central, que se deslocam às residências, faça chuva ou faça sol, com a missão de quebrar a solidão de quem perdeu tudo para que estes possam ultrapassar as suas dificuldades.

imagem 

Desde a primeira hora que os profissionais de saúde da Administração Regional de Saúde do Algarve IP prestam apoio à população serrana atingida pelos incêndios que fustigaram o concelho de São Brás de Alportel em julho de 2012. Os habitantes nos montes isolados na Serra do Caldeirão recebem visitas duas vezes por semana de uma técnica superior de serviço social da Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) Al-Portellus e de uma psicóloga da URAP, unidades integrantes do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Central, que se deslocam às residências, faça chuva ou faça sol, com a missão de quebrar a solidão de quem perdeu tudo para que estes possam ultrapassar as suas dificuldades.

 

A técnica superior de serviço social Marta Sousa, e a psicóloga Ana Franco, percorrem dezenas de quilómetros de curvas e contracurvas na serra algarvia, todas as semanas, para realizarem encontros imagemprogramados em casa dos utentes. As duas profissionais de saúde são recebidas de braços abertos pelos habitantes nos sítios mais longínquos do concelho de São Brás de Alportel por onde passaram os fogos devastadores no mês de julho do corrente ano. O dia é de chuva e a paisagem, vestida de negro desde o verão passado, já demonstra sinais de renascimento com árvores e arbustos cada vez mais verdes.

 

«Inicialmente efectuou-se uma intervenção multifocalizada e multidisciplinar, que em algumas situações se mantém, e em que se procurou, em conjunto com as pessoas afectadas por este devastador incêndio e alvo da nossa intervenção, planificar e delinear a acção (o que fazer, como fazer, onde me dirigir…)», explica Drª Marta Sousa.

 imagem

«Existem casos em que a intervenção se tem efectuado a nível familiar e/ou comunitário, tendo-se realizado o levantamento das necessidades e trabalhado as potencialidades da família e/ou comunidade, sendo que noutros, e tendo em conta a especificidade de cada caso, foi delineado um plano de intervenção individual», acrescenta Drª Ana Franco.

 

Estes atos de prestação de cuidados de saúde na área da saúde mental visam suavizar o impacto devastador que os incêndios tiveram nas vidas das pessoas. «É um desespero, perdemos tudo», diz a utente L. que, há mais de três meses, vive hospedada na casa da filha depois de ter visto a casa onde nasceu arder por completo. O marido, um senhor com cerca de 70 e poucos, perdeu o porco mas conseguiu salvar a mula da cabana em chamas. Os únicos pertences que restam a este casal são as roupas que trouxeram vestidas e as paredes da antiga habitação.

 

imagem

A intervenção junto desta família iniciou-se 48 horas após o início do incêndio no concelho de S. Brás de Alportel, uma vez que o idoso ameaçava por termo à vida.

 

«Os primeiros dias foram muito complicados», conta Dra. Marta Sousa ao falar sobre o estado em que encontraram o marido da utente L. «Evitava estender a mão para assumir o compromisso de estar (vivo) para nos receber na visita do dia seguinte, no entanto a psicóloga nunca saía do local enquanto o compromisso não ficasse firmado» conta.

 

No entanto, esse estado de espírito mudou com as visitas regulares e, inicialmente, diárias das profissionais de saúde. Hoje o mesmo utente passa os dias a cuidar da horta e a fazer cestas «para animar» um pouco, brincando com as técnicas de saúde.

 

«Nunca na vida esperávamos apanhar aquele petisco», conta o utente Jimagem. que acordou com o sobressalto às quatro da manhã. «Vêm cá acompanhar a gente para estarmos melhor e acalmar», explica sobre as visitas. «Trabalhar uma vida inteira e depois ver tudo em cinzas, é muito triste. Conversar com elas ajuda muito para não estarmos a pensar em sepulturas. Uns dias estamos entretidos, outros estamos olhando para as moscas», diz a rir-se.

 

O trabalho desta equipa, também passa por informar os colegas enfermeiros e médicos sobre o estado de saúde físico das pessoas.

 

Já em casa de um outro utente, com mais de 80 anos, que perdeu sobreiros, alfarrobeiras e oliveiras, «tudo», excepto a casa: «Têm me ajudado muito, dão me boa conversa, alegria, vêm à minha procura, vêm ver se estou bem ou ruim. Somos muito pobres, e se não houver saúde, mais pobre somos. Às vezes estou muito nervoso e estas meninas vêm cá conversar e parece que uma pessoa põe se melhor».

 imagem

Entre os 32 utentes, esta «miniequipa» do ACES Algarve Central que trabalha em parceria com a Câmara Municipal de São Brás de Alportel, tem só uma pessoa medicada. A utente P. e o marido já há quatro anos que viram arder as suas terras. O acontecimento deste verão acabou por levar os terrenos que lhes restavam. «Ficámos sem nada. Agora foi tudo. Até as flores que a gente tinha à porta se queimaram e os telhados», conta.

 

Segundo a equipa, e tendo em conta a actual fragilidade emocional desta população, que perdeu grande parte do investimento de uma vida, qualquer ruptura na intervenção que tem vindo a ser realizada por esta equipa poderá ser vivida de forma angustiante e ter efeitos bastante devastadores na saúde mental das mesmas pelo que deverá continuar a efectuar-se todos os esforços possíveis para que a intervenção desta equipa seja mantida, no tempo, até que a população necessite.imagem

 

A ajuda tem sido dada por parte de vizinhos e da igreja para poderem comer, vestir e semear favas. «Estas senhoras trazem companhia. É uma ajuda preciosa e alivia a tristeza. Esperemos que continuem a vir cá».

 

imagem
Voltar
RSE - Area Cidadão