Vigilância epidemiológica em Saúde Ambiental

No contexto de globalização do mundo e alterações climáticas, as doenças transmitidas por mosquitos têm vindo a (re)emergir e com elas surge a necessidade de conhecer e saber quais as espécies de vetores que estão presentes na nossa região, período de atividade, principais hospedeiros e fatores de risco para a população exposta.

As doenças transmitidas por mosquitos podem representar uma emergência em Saúde Pública e são motivo de preocupação crescente no espaço europeu, tornando-se, por isso, de extrema importância a sua prevenção.

Têm vindo a surgir evidências de que o envolvimento da comunidade é crucial para maior sucesso na supressão da população de mosquitos, sobretudo para espécies que se desenvolvem em pequenos contentores e ao redor das habitações.

O que é o Aedes albopictus?

O mosquito Aedes albopictus, conhecido vulgarmente como Mosquito Tigre Asiático, é um mosquito invasor procedente da região Ásia-Pacífico.

O mosquito Aedes albopictus representa um exemplo de como uma espécie exótica pode ser introduzida e disseminada numa nova região geográfica. Nas últimas décadas, esta espécie foi disseminada por toda a europa, encontrando-se atualmente amplamente distribuída. Trata-se de uma espécie com elevada capacidade de colonizar novos territórios e de se adaptar bem às atividades humanas.

O Ae. albopictus, tal como todos os mosquitos, durante o seu ciclo de vida passam sempre por uma fase aquática – estádio larva e pupa, após a fêmea depositar os ovos na superfície da água. Importa referir que apenas as fêmeas realizam refeição de sangue (ou seja, são apenas os mosquitos fêmeas que picam) e que esta é imprescindível para a colocação de ovos.

Ciclo de vida do mosquito

Ae. albopictus em Portugal

Esta espécie foi identificada pela primeira vez em Portugal continental em setembro de 2017, em amostras colhidas no âmbito da REVIVE no norte do país, no concelho de Penafiel, numa fábrica de tratamento de pneus.

Em 2018, também no âmbito da REVIVE, foi confirmada a presença desta espécie nas freguesias de Almancil e Quarteira.

No presente tem-se conhecimento da presença desta espécie invasora em quatro concelhos da região, contudo julga-se que a mesma se encontra pontualmente dispersa noutros concelhos da região.

Que doenças pode transmitir?

Esta espécie tem importância em Saúde Pública devido ao seu papel na transmissão de alguns agentes patogénicos, nomeadamente os arbovírus chikungunya, dengue e Zika.

Importa referir que esta vigilância indica-nos que, até agora, não existem exemplares infetados. 

O que está a ser feito?

Serviços de Saúde Pública

Em Portugal, a REde de VIgilância de VEtores (REVIVE) criada em 2008 por protocolo entre as Administrações Regionais de Saúde, Direção-Geral da Saúde e Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), é responsável pela monitorização de mosquitos vetores e pesquisa de arbovírus com impacto em Saúde Pública.

As colheitas de mosquitos vetores são realizadas no âmbito da REVIVE em áreas públicas e privadas, sempre com conhecimento e permissão dos responsáveis. As amostras são enviadas para o Centro de Estudos de Vetores e Doenças Infeciosas do INSA para identificação das espécies e pesquisa de agentes infeciosos.

No Algarve foi criado um Plano Resposta à identificação do mosquito Ae. albopictus tendo como missão reduzir o risco da circulação de arboviroses associadas a este vetor. O risco será tanto menor quanto maior for a nossa capacidade para manter níveis aceitáveis de densidade da população deste mosquito. Este Plano conta no presente com uma rede de armadilhas para imaturos e mosquitos adultos (56 ovitraps e 14 BG), distribuídas pelos concelhos de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Stº António.

Ovitrap tipo: armadilha usada na vigilância de mosquitos (fase imatura – larvas ou ovos); água até 3/4 e colocada no interior uma espátula de madeira onde o mosquito fêmea irá colocar os ovos.

Ovos de mosquito Ae. albopictus (imagem observada em lupa e em vista desarmada)

Armadilha para mosquitos adultos usada na vigilância – funciona com bateria ou ligada à eletricidade; à esquerda encontra-se o atratante para os mosquitos, que é colocado em compartimento próprio na parte superior da armadilha. Os mosquitos são atraídos pelo atratante, sugados pela ventoinha e retidos em saco interior, que será substituído por técnicos dos serviços da Saúde Pública.

Mais recentemente a Administração Regional de Saúde juntou-se ao INSA e a Agência Internacional da Energia Atómica (IAEA) num projeto que visa testar a Técnica do Inseto Estéril para controlar a população de mosquitos Ae. albopictus. A Técnica do SIT usada como componente de uma Gestão Integrada de Vetores é recomendada pela Organização Mundial de Saúde para suprimir a população de espécies vetoras e reduzir o risco do aparecimento de doença. A Técnica SIT consiste em libertar mosquitos machos estéreis que irão competir com mosquitos machos “selvagens” para inviabilizar as novas gerações e assim suprimir a população destes mosquitos.

Este projeto está a decorrer no concelho de Faro, abrangendo as zonas de Gambelas e Santo António do Alto.

Como controlar a população de mosquitos – Recomendações à população em Geral

O controlo dos locais criadouros de mosquito é uma ferramenta muito importante.

É importante que se procure e elimine os criadouros típicos desta espécie de mosquito que se possam localizar dentro da vossa propriedade. Deve-se eliminar todos os possíveis criadouros ao redor das habitações.

Alguns exemplos de locais onde estes mosquitos se podem desenvolver.

         

O que fazer – Dicas:

  • Tapar reservatórios de água, fossas e manter as piscinas tratadas;
  • Mantenha as calhas e caleiras limpas e desentupidas;
  • Vire para baixo recipientes ou pequenos objetos que possam acumular água ou elimine-os, se possível;
  • Coloque areia fina nos pratos dos vasos ou jarras, ou retire-os para evitar acumulação de água;
  • Mude a água dos vasos e jarras de flores, uma vez por semana;
  • Mantenha a relva curta.

Recordamos que a adequada abordagem para baixar a densidade destes mosquitos passa por prevenir e eliminar locais criadouros típicos desta espécie de mosquitos, que muitas vezes são pequenos objetos que acumulam de água, localizadas dentro do perímetro das moradias.

A participação comunitária e individual é também muito importante para prevenir e eliminar possíveis locais de criação de mosquitos, em particular, no caso dos proprietários de moradias com jardim, em que com simples ações de controlo podem contribuir para a eliminação do mosquito e desta forma proteger a população em geral.

Saiba quais aqui:  mosquito Aedes albopictus – Faça a sua parte! – elimine os mosquitos que possam desenvolver no seu jardim (versão em português)

mosquito Aedes albopictus – Do your part! – eliminate mosquitoes that may develop in your garden (versão em inglês)

A população pode também adotar medidas de proteção individual contra picadas através da instalação de redes mosquiteiras na habitação e usar repelentes com concentração adequada do princípio ativo. 

Existe uma aplicação móvel, disponível nas plataformas Google Play ou Apple Store, que pode ser descarregada e utilizada para aumentar o conhecimento sobre mosquitos e até reportar avistamentos ou picadas.

MOSQUITO ALERT – http://www.mosquitoalert.com/en/ –  um projeto de ciência cidadã a nível internacional, no qual Portugal participa e valida os relatórios feitos em território nacional.

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